Entendendo o jejum bíblico

Em Mateus 6, Jesus nos ensina sobre o jejum:

“Quando jejuarem, não façam como os hipócritas, que se esforçam para parecer tristes e desarrumados a fim de que as pessoas percebam que estão jejuando. Eu lhes digo a verdade: eles não receberão outra recompensa além dessa. Mas, quando jejuarem, penteiem o cabelo6. Em grego, unjam a cabeça. e lavem o rosto. Desse modo, ninguém notará que estão jejuando, exceto seu Pai, que sabe o que vocês fazem em segredo. E seu Pai, que observa em segredo, os recompensará.”

Ouvi a pregação do Reverendo Augustus Nicodemus, da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia e aprendi algumas coisas valiosas, em especial sobre esta prática silenciosa, privativa, uma forma de nos aproximar do Senhor em nossa intimidade, sem publicizar o que fazemos.

Paulo Júnior, da Igreja Aliança do Calvário e Sociedade Missionária Defesa do Evangelho, defende “a prática do jejum, para buscar ouvir a voz de Deus, receber o poder de se sentir preenchido pelo espírito santo e até ter uma experiência dada pela soberania de Deus”.

O pastor Luciano Subirá, da Comunidade Alcance de Curitiba e Orvalho, também fala sobre a prática do jejum e faz uma referência a novidades científicas.

Trago algumas questões para cá:

O jejum é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e propósito específico, praticado pela humanidade em praticamente todas as épocas, nações, culturas e religiões.

Segundo entendi de várias pregações de pastores de diferentes denominações, não há regras fixas na Bíblia sobre quando jejuar ou qual tipo de jejum praticar, isto é algo pessoal.

No Velho Testamento, na lei de Moisés, os judeus tinham um único dia de jejum instituído: o do Dia da Expiação (Lv 23.27), que também ficou conhecido como “o dia do jejum” (Jr 36.6) e ao qual Paulo se referiu como “o jejum” (At 27.9). Mas em todo o Velho e Novo Testamento não há uma única ordem acerca de jejuarmos. Contudo, segundo Subirá, apesar de não haver um imperativo acerca desta prática, a Bíblia esta cheia de menções ao jejum.

Todos relembram que o próprio Senhor Jesus jejuou por quarenta dias e quarenta noites no deserto, e muitas vezes ficava sem comer (quer por falta de tempo ministrando ao povo – Mc 6.31, quer por passar as noites só orando sem comer – Mc 6.46).

Os fariseus jejuavam dois dias por semana (Lc 18.12), mas Jesus e seus discípulos não o faziam e questionavam Jesus acerca disto:

“Disseram-lhe eles: Os discípulos de João e bem assim os fariseus freqüentemente jejuam e fazem orações; os teus, entretanto, comem e bebem. Jesus, porém, lhes disse: Podeis fazer jejuar os convidados para o casamento, enquanto está com eles o noivo? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, jejuarão.” (Lc 5.33-35).

Quer saber mais? Aqui tem um texto bem detalhado.

No final, uma percepção importante: o jejum não é uma varinha mágica, é apenas um caminho para nos conectarmos mais a Deus em oração. 

Isaias 58 nos dá direção:

De que adianta jejuar,
se continuam a brigar e discutir?
Com esse tipo de jejum,
não ouvirei suas orações.
Vocês se humilham
ao cumprir os rituais:
curvam a cabeça,
como junco ao vento,
vestem-se de pano de saco
e cobrem-se de cinzas.
É isso que chamam de jejum?
Acreditam mesmo que agradará o Senhor?
“Este é o tipo de jejum que desejo:
Soltem os que foram presos injustamente,
aliviem as cargas de seus empregados.
Libertem os oprimidos,
removam as correntes que prendem as pessoas.
Repartam seu alimento com os famintos,
ofereçam abrigo aos que não têm casa.
Deem roupas aos que precisam,
não se escondam dos que carecem de ajuda.
“Então sua luz virá como o amanhecer,
e suas feridas sararão num instante.
Sua justiça os conduzirá adiante,
e a glória do Senhor os protegerá na retaguarda.
Então vocês clamarão, e o Senhor responderá.
‘Aqui estou’, ele dirá.
“Removam o jugo pesado de opressão,
parem de fazer acusações e espalhar boatos maldosos.
Deem alimento aos famintos
e ajudem os aflitos.
Então sua luz brilhará na escuridão,
e a escuridão ao redor se tornará clara como o meio-dia.
O Senhor os guiará continuamente,
lhes dará água quando tiverem sede
e restaurará suas forças.
Vocês serão como um jardim bem regado,
como a fonte que não para de jorrar.
Reconstruirão as ruínas desertas de suas cidades
e serão conhecidos como reparadores de muros
e restauradores de ruas e casas.

 

P.S. Sobre as novidades científicas. Segundo Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de medicina deste ano, o jejum faz suas células se comerem – processo chamado de autofagia – e isso te renova. A autofagia é um importante mecanismo de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Por essa lógica, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas. Essa autolimpeza no organismo é ativada quando a célula está em situações de stress, como ao fumar um cigarro ou ficar algum tempo sem se alimentar. Nestes casos, a célula passa a “comer” partes internas para sobreviver, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona maior a faxina.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s