Estamos assistindo em familia aos Dez Mandamentos (a novela) e chegamos exatamente no momento da construção e consagração do tabernáculo, o que levantou vários questionamentos acerca das tradições dos hebreus e do significado atual delas para as igrejas cristãs do século XXI.

Encontramos no Kindle dois livros de autores que já conhecíamos e respeitamos que tratam de temas afins.

Um deles é O tabernáculo – Símbolos da Obra Redentora de Cristo, novo livro do pastor Elienai Cabral. Conferencista, teólogo, membro da Casa de Letras Emílio Conde, comentarista de Lições Bíblicas da CPAD e membro do Conselho Administrativo da CPAD, atualmente desempenha a função de primeiro secretário da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

Autor dos livros “Comentário Bíblico de Efésios”, “Mordomia Cristã”, “A Defesa do Apostolado de Paulo – Estudo na Segunda Carta aos Coríntios”, “Comentário Bíblico de Romanos”, “A Síndrome do Canto do Galo”, “Josué – Um líder que fez diferença”, “Parábolas de Jesus” e “O Pregador Eficaz”.

Nesta obra, que deriva de uma série de aulas para líderes cristãos, o pastor explica que desde o Jardim do Éden, o desejo de Deus sempre foi habitar no meio do seu povo, mas esse desejo foi interrompido devido ao pecado de Adão e Eva. Deus, porém, nunca desistiu e, com a saída de Israel do Egito, Ele deu a Moisés a missão de construir uma tenda onde sua presença seria constante e romperia a parede do pecado que o separava do seu povo.

O Tabernáculo era a presença física de Deus na terra para que os homens pudessem ver a manifestação da presença divina mediante objetos que foram cuidadosamente escolhidos por Deus, entre eles, a Arca da Aliança.

Nesta obra, estudaremos sobre o Tabernáculo e entenderemos que ele era um tipo perfeito de Jesus Cristo, pois ele também foi a manifestação visível de Deus e habitou no meio do povo.

Deixamos a seguir algumas passagens que nos impactaram e ao final tem uma série de vídeos com as aulas do tema no YouTube.

Uma das lições que aprendemos em Hermenêutica Bíblica é que todos os fatos e princípios do Antigo Testamento constituem-se em sombras ou tipos das realidades das coisas celestiais, uma vez que não há dúvida de que todo o conteúdo da Bíblia é a Palavra de Deus e que ela é proveitosa e útil em sua totalidade para instruir os que desejam conhecer o Senhor (Is 55.11; 2 Tm 3.16,17). Qual a importância em estudar sobre o Tabernáculo? Que lições podemos tirar dessa história e tipo? Se o sistema sistema sacrifical e o próprio Tabernáculo foram abolidos do sistema de culto dos judeus, que valor terá o estudo sobre esse assunto hoje? A resposta é dada pelo apóstolo Paulo quando ele diz que Israel havia bebido de águas no deserto e que Cristo era a rocha espiritual, da qual beberam os judeus (1 Co 10.4,5). Ora, subentende-se, portanto, que a rocha da qual beberam os israelitas continua sendo a rocha da qual verte água para saciar a sede da Igreja hoje. Quando estudamos sobre o Tabernáculo, que é a figura do próprio Cristo, tornamos evidente que Ele é a realidade do Tabernáculo. Cristo, portanto, é nosso Tabernáculo neotestamentário. Por isso, tudo na história de Israel, desde sua saída do Egito até chegar à terra de Canaã, constitui-se em exemplo e tipo de uma realidade ainda a aparecer. Essa realidade fez-se conhecida em Jesus Cristo.

Uma das primeiras lições que se aprende em Teologia acerca de Deus é que “Deus é espírito” e, por isso, Ele é autoexistente, não criado por outro ser, atemporal, autossuficiente, não restrito a nenhum determinado ponto geográfico (ver Jo 4.24). O fato de Deus manifestar seu desejo de habitar com o seu povo não o limita a nada. Ele tem origem em si mesmo, ou seja, Ele existe por si mesmo quando diz: “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14).

I. Uma Morada Terrena para a Divindade A ordem dada a Moisés para construir uma morada para Ele tinha por objetivo mostrar o seu Espírito, fazendo-se sentir pelas manifestações especiais da natureza, como fogo, nuvem, água, relâmpagos e trovões sobre o lugar da sua presença, ou seja, a sua Shekinah. Para entendermos essa dimensão da Divindade, devemos considerar o projeto de construção do Tabernáculo.

Estudar e conhecer a estrutura do Tabernáculo com seu mobiliário, suas medidas e materiais revela um Deus que se identifica com o seu povo utilizando as coisas materiais para facilitar a compreensão do povo de Israel. Desde que o Senhor mostrou o modelo a Moisés no Monte Sinai, deu a ele ordens para serem obedecidas cuidadosamente. As coisas de Deus são perfeitas porque Ele é perfeito em todas as suas obras (2 Sm 22.31; Mt 5.48). Portanto, o Tabernáculo (ohel e mishkan, heb.) era o lugar onde o Senhor habitaria com o seu povo depois da sua saída do Egito.

Há pelo menos cinco razões da parte divina para a construção do Tabernáculo:

A Primeira Razão do Coração de Deus Era o Desejo de Habitar com os Homens

Em primeiro lugar, Deus deu a ordem: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25). O Tabernáculo seria a morada de Deus entre o seu povo. Esse desejo divino é percebido nas Escrituras quando Deus revela-se a si mesmo ao homem. Ele aparece caminhando no jardim do Éden para comunicar-se com suas criaturas humanas, que foram criadas por Ele para sua glória. Em segundo lugar, vemos Deus revelando-se a si mesmo a Moisés no monte Horebe, envolvido na sarça ardente (Êx 3.4), e, logo depois, Ele manifesta-se de modo incisivo a Moisés, dando-lhe instruções para libertar os hebreus da escravidão egípcia (Êx 3.5-12). Em terceiro lugar, depois que os hebreus são libertados do Egito, Deus manifesta-se de modo espetacular no Monte Sinai envolvido numa coluna de nuvem durante o dia; às noites, Ele demonstrava sua presença numa coluna de fogo sobre o Tabernáculo (Êx 13.21). Em quarto lugar, quando Moisés acabou de construir o Tabernáculo, a glória de Deus apareceu brilhante na mesma nuvem (Êx 40.34). A presença divina esteve constante na marcha de Israel no deserto, e Deus falava com Moisés fazendo-se ouvir do centro daquela nuvem de glória. Em quinto lugar, quando Salomão acabou de orar a Deus depois da inauguração do Grande Templo, a glória de Deus manifestou-se em fogo sobre o altar dos sacrifícios e encheu toda a casa (2 Cr 7.11). Em sexto lugar, quanto à habitação de Deus com os homens, algo maravilhoso e ímpar aconteceu, porque Deus revelou-se e habitou entre nós na Pessoa de Jesus Cristo, seu Filho Amado, cumprindo-se a palavra de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós […]” (Jo 1.14). O vocábulo “habitou” no grego do Novo Testamento é “skenoo”, que significa “tenda”, “morada”, “tabernáculo”. Ele (Jesus Cristo) montou seu tabernáculo entre nós, e nós “vimos a sua glória” (Jo 1.14).

A Segunda Razão do Coração de Deus Era Fazer do Tabernáculo uma Antecipação das Glórias que Viriam depois

Não é difícil entender que o Tabernáculo era um tipo perfeito de Cristo. Quando Ele terminou sua obra na terra, a Bíblia diz que Ele ascendeu ao céu, ou seja, ao seio do Pai Celestial, e, então, enviou o Espírito Santo para habitar na sua Igreja, ou seja, na vida pessoal de cada crente (Jo 14.16,17). O final do versículo 17 diz: “[…] porque habita convosco e estará em vós”. Quando um pecador arrepende-se de seus pecados e declara que Jesus é o Salvador e Senhor, o Espírito Santo é-lhe dado como “penhor da nossa herança”, ou seja, garantia de todas as promessas de Deus (Ef 1.14). Outrossim, quando o Espírito entra na vida de um pecador remido, passa a habitar dentro dele, e seu corpo passa a ser templo do Espírito Santo (1 Co 6.19). Se, antes no Antigo Testamento, ninguém podia chegar a Deus a não ser pelo sumo sacerdote, agora temos acesso a Deus Pai por meio de Jesus Cristo (Hb 4.16).

A Terceira Razão do Coração de Deus É Ensinar o Conflito entre a Santidade de Deus e a Pecaminosidade do Homem

O propósito de Deus ao ordenar a construção do Tabernáculo com todas as suas restrições de acesso ao Lugar Santíssimo era mostrar o caminho para desfazer o conflito entre a santidade de Deus e a pecaminosidade do homem. Ora, no Tabernáculo, encontram-se Deus e o homem, e o conflito precisa ser dirimido. O caminho para desfazer esse conflito não é o das religiões, nem o das boas obras, nem o das justiças humanas. O caminho indicado por Deus é um só, que é Cristo e sua obra expiatória no calvário. Tudo isso é prefigurado no Tabernáculo, predito nas profecias bíblicas e confirmado pelo próprio Senhor e seus apóstolos. Há um só caminho (Jo 14.6) e um só mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2.5); há um só sacrifício, através do qual se efetuou uma eterna redenção (Hb 9.12).

A Quarta Razão do Coração de Deus para a Construção do Tabernáculo Era Tornar aquele Lugar um Lugar de Adoração e Louvor a Deus

“Não é a igreja que salva, e sim uma Pessoa que salva (Jo 14.6). Não há um templo, nem um nome, nem mesmo outro fundamento. Para adorar a Deus, fazemo-lo pelo nome de Jesus Cristo (Mt 18.20).”

O Tabernáculo chamava a atenção de todo o povo, porque a glória de Deus manifestava-se de modo especial naquele lugar. O Senhor manifestava-se a si mesmo naquele lugar através da palavra dos líderes do povo, especialmente Moisés e Arão. No NT, a glória de Deus é manifestada através do Espírito Santo, porque Jesus disse que rogaria ao Pai e enviaria “outro Consolador, para que [estivesse com seus discípulos] para sempre” (Jo 14.16). No AT, Deus tinha a Arca, o Castiçal de Ouro, o altar do incenso e a mesa dos pães da proposição. No NT, o modo de adorar tornou-se diferente e especial, porque o lugar da adoração é uma Pessoa, o próprio Senhor Jesus Cristo. Nessa gloriosa Pessoa, Deus encontra-se com o homem, e este com Deus. Por isso, não é a igreja que salva, e sim uma Pessoa que salva (Jo 14.6). Não há um templo, nem um nome, nem mesmo outro fundamento. Para adorar a Deus, fazemo-lo pelo nome de Jesus Cristo (Mt 18.20).

A Quinta Razão do Coração de Deus para a Construção do Tabernáculo Era a Necessidade de um Lugar para os Sacrifícios

A Bíblia faz entender que se podia apaziguar o poder da justiça contra o pecado mediante os sacrifícios oferecidos a Deus. Era, também, um modo de aproximar-se do Criador. Na história de Abraão, o velho patriarca entendeu que não podia chegar-se a Deus, senão mediante um sacrifício. Na sua descendência posterior, o povo de Israel entendeu a importância da Páscoa e das ofertas oferecidas ao Senhor por seus pecados. Por isso, a instituição do Tabernáculo foi a mais expressiva mensagem divina de amor e perdão para com o povo escolhido. Todo o sistema levítico foi elaborado em torno dos sacrifícios, porque esse era o modo de poder chegar a Deus. O sistema dos sacrifícios satisfazia a santidade divina, que requeria justiça e a sua devida punição, e a única maneira de satisfazer a plena e perfeita justiça divina era a oferta pelo pecado através de um só sacrifício mediante o sangue inocente que substituiria o pecador. A porta exterior sempre estaria aberta para o pecador, e o fogo consumidor estaria ardendo sobre o altar dos sacrifícios. Tudo isso indicava que Deus estava sempre disposto a receber as ofertas voluntárias de seu povo pelos seus pecados. Assim como o derramamento de sangue do animal representava um alto custo da salvação, nada menos que o sangue de Cristo seria suficiente para satisfazer a pena do pecado por quem Jesus morreu. Deus tem avaliado nossa salvação a um custo nada menor que este: o derramamento do sangue de Jesus (ver Is 53.10). Numa tipologia especial, entendemos que o sacrifício da cruz revela a glória do caráter de Deus. Ora, como ver a glória divina na obra expiatória da cruz? Paulo disse aos romanos: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Mais a frente, Paulo diz: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5).

https://www.youtube.com/playlist?list=PLMt2CxwQQwVJH4nqE8UtXHCaH74NbKHXN

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