Estaremos “anestesiados” como o povo de Israel na época de Amós?

“O Senhor Deus diz: — Povo de Israel, vocês querem pecar? Pois vão aos santuários de Betel e de Gilgal e ali pequem à vontade! Todas as manhãs ofereçam sacrifícios e de três em três dias deem os seus dízimos. Apresentem os pães da oferta de gratidão a Deus e depois saiam para contar a todo mundo que fizeram ofertas de livre e espontânea vontade. E como vocês gostam de fazer isso! — Eu fiz com que faltasse comida em todas as cidades e que todos passassem fome, mas assim mesmo vocês não voltaram para mim. Não deixei que chovesse durante três meses antes das colheitas. Fiz com que caísse chuva numa cidade, mas, em outra, não; choveu numa plantação, mas, em outra, não, e nesta tudo secou. As pessoas iam de cidade em cidade procurando água, mas não achavam o bastante nem para matar a sede. Assim mesmo vocês não voltaram para mim. Sou eu, o Senhor, quem está falando. — Eu os castiguei com ventos muito quentes e com pragas nas plantas; os gafanhotos acabaram com as hortas, com as parreiras, com as figueiras e com as oliveiras. Assim mesmo vocês não voltaram para mim. Fiz cair sobre vocês uma praga como as que mandei contra o Egito. Fiz com que os moços morressem nos campos de batalha e deixei que os inimigos levassem embora os cavalos de guerra. Fiz com que o mau cheiro dos corpos que estavam apodrecendo se espalhasse pelo acampamento. Assim mesmo vocês não voltaram para mim. Sou eu, o Senhor, quem está falando. — Eu destruí cidades, como fiz com Sodoma e com Gomorra; vocês escaparam como se fossem um galho que no último momento é tirado do fogo. Assim mesmo vocês não voltaram para mim. Por isso, povo de Israel, eu os castigarei. E, já que vou castigá-los, preparem-se para se encontrar com o seu Deus. Eu, o Senhor, falei. Foi Deus quem fez as montanhas e criou o vento. Ele revela os seus planos aos seres humanos. Ele faz o dia virar noite e anda por cima das montanhas. Este é o seu nome: o Senhor, o Deus Todo-Poderoso.”

‭‭Amós‬ ‭4:4-13‬ ‭NTLH‬‬

Estaremos “anestesiados” como o povo de Israel na época de Amós?

O reverendo Augustus Nicodemus resgata essa passagem profética para nos alertar sobre nossa indiferença atual com os sofrimentos coletivos. Serão sinais?

O alerta é recorrente:

“No monte Sinai os israelitas fundiram um bezerro de ouro e adoraram aquele ídolo que haviam feito.”

‭‭Salmos‬ ‭106:19‬ ‭NTLH‬‬

Cena da novela Os Dez Mandamentos

“Arão construiu um altar diante do bezerro de ouro e anunciou ao povo: — Amanhã haverá uma festa em honra de Deus, o Senhor. No dia seguinte, de manhã cedo, eles trouxeram alguns animais para serem queimados como sacrifício e outros para serem comidos como ofertas de paz. Depois o povo sentou-se para comer e beber e se levantou para se divertir. Então o Senhor Deus disse a Moisés: — Desça depressa porque o seu povo, o povo que você tirou do Egito, pecou e me rejeitou. Eles já deixaram o caminho que eu mandei que seguissem; fizeram um bezerro de ouro fundido, e o adoraram, e lhe ofereceram sacrifícios. Estão dizendo que estes são os deuses deles, os deuses que os tiraram do Egito. Eu conheço este povo e sei que é muito teimoso. Agora não tente me impedir, pois vou descarregar a minha ira sobre esta gente e vou acabar com eles. Depois farei de você e dos seus descendentes uma grande nação. Porém Moisés fez um pedido ao Senhor, seu Deus. Ele disse: — Ó Senhor, por que ficaste assim tão irado com o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e força? Por que deixar que os egípcios venham a dizer que tiraste o teu povo do Egito para matá-lo nos montes e destruí-lo completamente? Não fiques assim irado; muda de ideia e não faças cair sobre o teu povo essa desgraça. Lembra dos teus servos Abraão, Isaque e Jacó. Lembra do juramento que fizeste de lhes dar tantos descendentes quantas estrelas há no céu. Lembra também que prometeste que darias aos seus descendentes toda aquela terra para ser propriedade deles para sempre. Então o Senhor Deus mudou de ideia e não fez cair sobre o seu povo a desgraça que havia prometido. Moisés desceu do monte, carregando as duas placas de pedra com os mandamentos escritos nos dois lados de cada pedra. O próprio Deus havia feito as placas e tinha gravado nelas os mandamentos. Josué ouviu o povo gritando e disse a Moisés: — Estou ouvindo um barulho de guerra no acampamento. Moisés disse: — Não parece um barulho de vitória, nem um grito de derrota; o que estou ouvindo é gente cantando. Quando Moisés chegou perto do acampamento, viu o bezerro de ouro e o povo, que estava dançando, e ficou furioso. Ali, ao pé do monte, ele jogou no chão as placas de pedra que estava carregando e quebrou-as. Então pegou o bezerro de ouro que eles haviam feito, queimou-o no fogo e o moeu até virar pó e espalhou o pó na água. Em seguida mandou que o povo de Israel bebesse daquela água. E Moisés disse a Arão: — O que é que esta gente lhe fez, para que você a levasse a cometer esse pecado tão horrível? Arão respondeu: — Não fique com raiva de mim. Você sabe como este povo está sempre pronto para fazer o mal. Eles me disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés, aquele homem que nos tirou do Egito. Portanto, faça para nós deuses que sejam os nossos líderes.” Aí eu mandei que quem tivesse enfeites de ouro os tirasse e me desse. Joguei aqueles enfeites no fogo, e saiu este bezerro! Moisés viu que Arão havia deixado o povo completamente sem controle, fazendo assim que os seus inimigos zombassem deles. Então ficou na entrada do acampamento e disse: — Quem estiver do lado de Deus, o Senhor, que chegue até aqui! Então todos os levitas se reuniram em volta de Moisés, e ele disse: — O Senhor, o Deus do povo de Israel, manda que cada um de vocês pegue a sua espada e vá pelo acampamento, de ponta a ponta, matando os seus parentes, os seus amigos e os seus vizinhos. Os levitas obedeceram à ordem de Moisés e mataram naquele dia mais ou menos três mil homens. Moisés disse aos levitas: — Hoje vocês mataram os seus filhos e os seus irmãos e assim se consagraram como sacerdotes para o serviço de Deus, o Senhor. E, porque vocês fizeram isso, Deus lhes deu hoje uma bênção. No dia seguinte Moisés disse ao povo: — Vocês cometeram um pecado horrível. Porém agora vou subir outra vez o monte para falar com o Senhor. Talvez eu consiga que ele perdoe o pecado de vocês. Moisés voltou para o lugar onde o Senhor estava e disse: — Este povo cometeu um pecado terrível. Eles fizeram um deus de ouro e o adoraram. Por favor, perdoa o pecado deles! Porém, se não quiseres perdoar, então tira o meu nome do teu livro, onde escreveste os nomes dos que são teus. Então o Senhor disse a Moisés: — Riscarei do meu livro todos os que pecaram contra mim. Agora vá e leve o povo para o lugar que eu mandei. Lembre que o meu Anjo guiará você. Porém já está chegando o tempo em que vou castigar este povo pelo seu pecado. Por isso o Senhor Deus castigou os israelitas com uma doença, pois eles haviam obrigado Arão a fazer o bezerro de ouro.”

‭‭Êxodo‬ ‭32:5-35‬ ‭NTLH‬‬

Um breve contexto histórico:

Amós, aquarela de James Tissot (1836-1902), pintada entre 1896-1902.

Amós (aquele que ajuda a carregar o fardo ou nome que em hebraico significa “levar” e que parece ser uma forma abreviada da expressão Amosiá, que significa Deus levou, foi um Profeta do Antigo Testamento, autor do Livro de Amós. Ele é um dos doze Profetas Menores.

Amós era nativo de Tecoa, uma cidade a cerca de 20 km , nos limites do deserto de Judá, a sudeste de Belém.

Também era um homem de família humilde. Era um vaqueiro e cultivador de sicómoros.

Aproximadamente em 760 a.C., deixou sua vida tranquila e foi anunciar e denunciar no Reino de Israel Setentrional, durante o reinado de Jeroboão II.

Ele profetizou durante os reinados de Uzias, rei de Judá, e foi contemporâneo de Isaías e Oseias, que viveram alguns anos a mais que ele.

Sob Jeroboão II, o reino de Israel atingiu o máximo de sua prosperidade, mas isto foi acompanhado do aumento da luxúria, do vício e da idolatria.

Nesse contexto, o luxo dos ricos insultava a miséria dos oprimidos e o esplendor do culto disfarçava a ausência de uma religião verdadeira. Nesse momento, Amós foi convocado por Deus para lembrar ao povo da sua Lei, da retribuição da sua justiça e para chamar o povo ao arrependimento.

Ele denunciava essa situação, com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens típica de um homem do campo.

A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus iria atingir não só as nações pagãs, mas também, e principalmente, o povo escolhido; este já se considerava salvo, mas na prática era pior do que os pagãos (1:3-2:16).

Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social, ele denunciava especificamente:

  • os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3:13-15; 6:1-7), criando um regime de opressão (3:10);
  • as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos (4:1-3);
  • os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar dízimo, dar esmolas para aplacar a própria consciência (4:4-12; 5:21-27);
  • os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (2:6-7; 4:1; 5:7.10-13);
    os comerciantes ladrões sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo (8:4-8).

(Foto de destaque: Adoração do bezerro de ouro por Nicolas Poussin)

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