Jezabel e Acabe

Comecei a ver a macrossérie Jezabel, que foi exibida em 2019 na TV Record e está disponível no PlayPlus.

“No ano trinta e oito do reinado de Asa em Judá, Acabe, filho de Onri, se tornou rei de Israel e governou vinte e dois anos em Samaria. Ele pecou contra o Senhor Deus mais do que qualquer um dos que haviam sido reis antes dele. Não se contentando em pecar como o rei Jeroboão, Acabe fez pior e casou com Jezabel, filha de Etbaal, rei de Sidom, e adorou o deus Baal. Acabe construiu um templo para Baal em Samaria, fez para ele um altar e o colocou no templo. Levantou também um poste da deusa Aserá e assim fez mais coisas para deixar o Senhor Deus irado do que todos os reis de Israel haviam feito antes dele. Durante o reinado de Acabe, Hiel, que era de Betel, reconstruiu a cidade de Jericó. E, como o Senhor tinha dito por meio de Josué, filho de Num, Hiel perdeu Abirão, o seu filho mais velho, quando colocou os alicerces de Jericó, e perdeu Segube, o seu filho mais novo, quando colocou os portões.”

‭‭1Reis‬ ‭16:29-34‬ ‭NTLH‬‬

Aproveito para deixar aqui algumas referências:

Jezabel era filha do rei dos Sidônios Etbaal (1 Reis 16:31 diz que ela era “Sidoniana”, que é um termo bíblico para os fenícios em geral) tendo o seu casamento com Acabe sido o resultado de uma aliança que tinha como objetivo fortalecer as relações entre Israel e a Fenícia. A sua história é conhecida através do Primeiro Livro de Reis do Antigo Testamento.

Sua vida é mostrada no Livro de Reis como a esposa do Rei de Israel, Acabe, que se mostrou promíscuo e fraco, deixando-se dominar pela mulher de forte personalidade.

Jezabel é descrita como uma sacerdotisa dominadora e potencialmente religiosa e se denominava porta-voz dos deuses. Isso a categorizava como profetisa.

Ao casar-se com o Rei de Israel, ela passou a governar de acordo com a sua cultura e religião. Como mística, ela passou a ser considerada sacerdotisa e ensinadora. Em nenhum momento se sabe sobre sua conduta como uma prostituta, isso porque sua imagem mística impedia.

Teve, com o Rei Acabe, três filhos e portava-se como uma verdadeira mãe e dona de casa.

Sua influência foi abalizada pelo rei Acabe, e cresceu superando os próprios rabinos e sacerdotes, submetendo-os as suas ordens. Israel, que já teocrático, passou a adorar Baal e Jezabel cresceu politicamente e ordenava sobre o clero sacerdotal, obrigando os próprios sacerdotes israelitas a cultuar a Baal.

Suprimindo os rituais mosaicos, Jezabel passou a cultuar Baal de forma ostensiva e dominadora, sacrificando crianças em nome da santidade e inocência. Sua atuação mística superava as expectativas dos Israelitas que aceitavam tudo de forma normal.

Jezabel continuou a adorar os deuses fenícios, mas não se limitou a isso, pois queria combater o Deus de Israel e perseguir todos os seus seguidores. Recorreu ao dinheiro do tesouro público, templo de Israel, para sustentar os 450 profetas (ou nos tempos de Elijah e sacerdotes) do deus Baal e os 400 profetas da deusa Aserá (deusa fenícia da fertilidade). No palácio real seria mesmo construído um templo dedicado a Baal. Aparentemente o seu próprio marido sentiu-se atraído pelo culto destes deuses, renegando Javé para segundo plano. Os sacerdotes e profetas israelitas foram eliminados ou então tiveram que se exilar no deserto devido à perseguição promovida pela rainha.

Um profeta até então desconhecido pelo seu nome verdadeiro surgiu confrontando-se com os ensinamentos de Jezabel. Sua mensagem era o que passou a ser o seu próprio nome: “Elias”, que quer dizer: Javé é Deus! A mensagem do profeta desconhecido passou a contrastar religiosamente e provocou terror entre os rabinos e sacerdotes que passaram a exigir dele uma prova contundente em forma de “sinal” de comprovação de sua autenticidade. Era necessário que Elias provasse o seu chamado por Deus, bem como a verdade sobre a sua mensagem.

A resistência local contra esta política religiosa foi encabeçada pelo profeta Elias. Numa espécie de concurso religioso levado a cabo no Monte Carmelo, Elias derrotou todos os profetas de Baal, que morreram, pretendendo desta forma o Livro de Reis mostrar como o Deus de Israel era a única divindade. Jezabel foi desmascarada e desacreditada publicamente. Quando Jezabel soube disto ficou furiosa, pretendendo mandar matar Elias, que teve fugir para Judá.

O sinal marcante nos tempos de Elijah e Jezabel foi o grande desafio para essa comprovação: A proposta de Elijah foi a construção de dois altares: O de Baal e o de YHWH, conhecido como o Deus “El” de Abraão. O fogo incendiou o altar de Elijah e o povo passou a hostilizar todos os sacerdotes que serviam a Baal e os mataram.

Elias foi perseguido e refugiou-se após o sinal da chuva que havia predito. Seu ministério termina pela ordem de YHWH que escolhe Eliseu como seu sucessor.

Morte

Mulher determinada e independente, Jezabel não olhava os meios para conquistar os seus objetivos. Acabe desejava a vinha de Nabot, contígua ao palácio de Jezrael, mas este recusou-se a vendê-la. Sabendo disto, Jezabel envolveu-se na questão, enviando cartas em nome de Acabe aos chefes de Jezrael. O conteúdo das cartas ordenava a detenção de Nabot por blasfêmia contra Deus e contra o rei e a execução deste por apedrejamento sob denúncia de duas falsas testemunhas. Segundo a lei da época, a propriedade de alguém que tivesse cometido estas ações passaria para o rei. Nabot foi executado e Jezabel presenteou o marido com a vinha. Quando Elias soube desta ação profetizou que “os cães devorariam Jezabel e seus parentes no campo de Jezrael, e seus restos mortais seriam espalhados como esterco. Assim ninguém poderá dizer que esta era Jezabel”.

Um comandante chamado Jeú liderou uma revolta contra a família real, na qual matou o filho de Jezabel, Jorão. Quando Jezabel soube da revolta pintou os olhos e adornou a cabeça, desafiando Jeú da janela do palácio. Este ordenou aos eunucos da rainha que a atirassem da janela (defenestração): Jezabel morreu, tendo o seu sangue atingido as paredes e os cavalos. Uns cães que por ali passavam devoraram o corpo da rainha, exatamente como Elias profetizou.

Depois de ter feito uma refeição no palácio, Jeú ordenou que Jezabel fosse sepultada, dado que se tratava da filha de um rei. De acordo com o Segundo Livro de Reis, os servos do palácio apenas encontraram o crânio (a cabeça), os pés e as mãos intactos. O texto sagrado aponta que os cães não comeram as carnes destes três membros.

Por causa desta rainha o nome “Jezabel” encontra-se associado na cultura popular a uma mulher sedutora sem escrúpulos.

Entenda nesta aula do Pastor Coty:

E nesta do pastor Marco Silva:

Referências do texto (via Wikipédia):

  • Hackett, Jo Ann (2004). Metzger, Bruce M; Coogan, Michael D, eds. The Oxford Guide to People & Places of the Bible. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 150–151. ISBN 978-0195176100
  • ↑ Finkelstein, Israel; Silberman, Neil Asher (2001). The Bible Unearthed: Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. [S.l.]: Simon and Schuster. pp. 169–195. ISBN 978-0-684-86912-4
  • Israel Finkelstein; Neil Asher Silberman (6 de março de 2002). The Bible Unearthed: Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Sacred Texts. [S.l.]: Simon and Schuster. p. 176. ISBN 978-0-7432-2338-6
  • IVP New Bible Commentary 21st Century Edition, pp 335
    Korpel, Marjo C.A. «Fit for a Queen: Jezebel’s Royal Seal». Biblical Archaeology Society. Consultado em 17 de novembro de 2013

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