O “crente” no “São João”

Junho é um mês que traz desafios aos pais que vivem à luz da Bíblia. No Brasil, por todos os lados, “chovem” referências aos festejos juninos.

Neste ano, a pandemia de Covid-19 reduziu as festas e não precisamos passar pelo dilema de pedir para deixar a festa da escola “laica” (eu o fiz nos dois anos da EMEI, aproveitando que participava do Conselho e da APM) ou proibir as crianças de participarem (como fazemos com festas “abertamente pagãs”, como Halloween).

Mas novos desafios surgem.

Andei estudando como tocar no tema da festa junina com nossa filha de 7 anos que tem tarefas de escola sobre o tema e pensando como apoiar uma amiga que está vendendo kits de festa com comida “junina” em casa para reforçar o orçamento.

Meu pai faz aniversário em junho e ter doces típicos brasileiros comuns nesta época à mesa fez parte de muitos encontros para celebrar seu dia. A comida em si não me parece um problema. Afinal, para quem aprecia, pipoca, bolo de milho, doce de abóbora, pamonha e canjica são pratos comuns o ano todo. Basta ser “época” (no caso do milho verde, por exemplo) para prepararmos.

No entanto, como reforçou a professora da nossa filha neste ano, é justamente na referência aos alimentos comuns da mesa dessa festa do interior que mora o pecado. E não é o da gula.

A culinária típica das festas juninas consiste dos pratos feitos para as festas de veneração a São João, Santo Antônio e São Pedro que acontecem em Junho. São normalmente pratos à base de milho como canjica, o curau e pamonha, por exemplo.

Estes elementos de festa pagã (os cultos solares, que já aconteciam na Antiguidade nos dias de solstício de verão no hemisfério Norte) e sincretismos religiosos também marcam o início do ano agrícola para os indígenas brasileiros, que cultivavam o milho, um dos principais integrantes da mesa junina.

Essas festas coincidem com a colheita do milho e são uma celebração (um culto) à fertilidade da terra e aos santos que garantem boas colheitas?

Se forem, sabemos que não são encontros sociais para quem vive uma vida cristocêntrica.

Veja a referência bíblica em 1 Coríntios 8:

“Agora vou tratar do problema dos alimentos oferecidos aos ídolos. Na verdade, como se diz, “todos nós temos conhecimento.” Porém esse tipo de conhecimento enche a pessoa de orgulho; mas o amor nos faz progredir na fé. A pessoa que pensa que sabe alguma coisa ainda não tem a sabedoria que precisa. Mas quem ama a Deus é conhecido por ele. Quanto a comer alimentos que tenham sido oferecidos aos ídolos, nós sabemos que um ídolo representa alguma coisa que realmente não existe. E sabemos que existe somente um Deus. Pois existem os que são chamados de “deuses”, tanto no céu como na terra, como também existem muitos “deuses” e muitos “senhores”. Porém para nós existe somente um Deus, o Pai e Criador de todas as coisas, para quem nós vivemos. E existe somente um Senhor, que é Jesus Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas e por meio de quem nós existimos. Mas nem todos conhecem essa verdade. Existem pessoas tão acostumadas com os ídolos, que até agora comem desses alimentos, pensando que eles pertencem aos ídolos. A consciência dessas pessoas é fraca, e por isso elas se sentem impuras quando comem desses alimentos. Não é esta ou aquela comida que vai fazer com que Deus nos aceite. Nós não perderemos nada se não comermos e não ganharemos nada se comermos desse alimento. Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado. Porque, se uma pessoa que tem a consciência fraca neste assunto vir você, que tem “conhecimento”, comendo alimentos no templo de um ídolo, será que essa pessoa não vai querer também comer alimentos oferecidos aos ídolos? Assim este cristão fraco, este seu irmão por quem Cristo morreu, vai se perder por causa do “conhecimento” que você tem. Desse modo, pecando contra o seu irmão e ferindo a consciência dele, você estará pecando contra Cristo. Portanto, se o alimento faz com que o meu irmão peque, nunca mais vou comer carne a fim de que eu não seja a causa do pecado dele.”
‭‭1Coríntios‬ ‭8:1-13‬ ‭NTLH‬‬

Por outro lado, as canções e as superstições das festas populares juninas são também um ponto para a família cristã que vive o cotidiano à luz da Bíblia reflexionar.

Um exemplo está neste livro didático ofertado pelo Ministério da Cultura (publicação de 2018) que foi indicado para leitura na escola estadual da nossa filha:

Embora a história seja a celebração da vida em família, enfatizando o vínculo geracional e a vida harmônica em comunidade, as páginas sobre a festa junina em si trazem estrofes das músicas populares e nos lembram rapidamente a quem e por que celebram essas festas.

Devemos nos preocupar? Estamos demonizando o que não precisa? É exagero evitar as festas juninas?

Uma das minhas referências é Romanos 14:

“Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Por isso paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado. Por estar unido com o Senhor Jesus, eu estou convencido de que nada é impuro em si mesmo. Mas, se alguém pensa que alguma coisa é impura, então ela fica impura para ele. Se você faz com que um irmão fique triste por causa do que você come, então você não está agindo com amor. Não deixe que a pessoa por quem Cristo morreu se perca por causa da comida que você come. Não deem motivo para os outros falarem mal daquilo que vocês acham bom. Pois o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá. E quem serve a Cristo dessa maneira agrada a Deus e é aprovado por todos. Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé. Por uma questão de comida, não destrua o que Deus fez. Todos os alimentos podem ser comidos, mas é errado comer alguma coisa quando isso faz com que outra pessoa caia em pecado. O que está certo é não comer carne, não beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve um irmão a cair em pecado. Mas guarde entre você mesmo e Deus o que você crê a respeito desse assunto. Feliz a pessoa que não é condenada pela consciência quando faz o que acha que deve fazer! Mas quem tem dúvidas a respeito do que come é condenado por Deus quando come, pois aquilo que ele faz não se baseia na fé. E o que não se baseia na fé é pecado.”
‭‭Romanos‬ ‭14:12-23‬ ‭NTLH‬‬

Se você tem dúvidas sobre se deve participar ou não, faça algumas perguntas:

  • Como posso dar glória a Deus? A Bíblia diz que devemos dar glória a Deus em tudo que fazemos, até quando comemos! (1 Coríntios 10:31) Quer você participe da festa junina, quer vá para uma festa evangélica ou fique em casa, tente agradar a Deus em tudo que você faz.
  • Promove idolatria? Não é bom participar das coisas que promovem idolatria (1 Coríntios 10:14), mas nem tudo na festa junina promove idolatria. Por isso, se você quer comemorar festa junina, evite as partes que promovem abertamente idolatria.
  • Me sinto tentado a pecar? Se a tentação é muito grande para você na festa junina, não participe. Não se ponha em uma situação onde você sabe que vai pecar (1 Coríntios 10:13).
  • Minha consciência permite? Se você realmente sente que não deve participar, não participe. Fique de bem com sua consciência (Romanos 14:22-23).

Atenção! Participar ou não de festa junina não é uma questão fundamental do Cristianismo.

Qualquer que seja sua opinião sobre a festa junina, respeite e tente entender outras opiniões. Evite controvérsias inúteis, que causam brigas (2 Timóteo 2:23-24). O crente deve amar e ter paciência com seus irmãos.

Lembro que esse assunto gerou grande discussão há alguns anos, quando algumas igrejas (a igreja na qual nos convertemos e nos batizamos, no nosso último ano lá, foi uma delas) resolveram fazer “festa caipira” como uma celebração familiar.

No vídeo da Rede Super, podemos ter uma reflexão também:

 

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