Resenha do livro “Batalha de Gogue e Magogue: Uma interpretação de Ezequiel 38 & 39”

Nesta semana concluímos o estudo do livro “Batalha de Gogue e Magogue: Uma interpretação de Ezequiel 38 & 39”, de Thomas Ice, publicado pela Editora Chamada, disponível no Kindle Unlimited.

Nesta última etapa de nossa análise da invasão de Gogue e seus aliados à terra de Israel, conforme foi predita nos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel, quero resumir minhas conclusões, as quais já foram apresentadas e defendidas ao longo desse tratamento interpretativo detalhado que dedicamos a essa passagem bíblica. Não reapresentarei os pontos de vista e aspectos dos quais discordo; ao invés disso, mostrarei uma sinopse de minhas conclusões sobre esse texto. Os atores Os invasores parecem ser uma coligação de muçulmanos, não oriundos de povos árabes, liderada por um russo. O texto declara que Gogue, o líder dessa coalizão, é oriundo “da terra de Magogue”, além de se referir a ele como “príncipe de Rôs” (Ez 38.2). Essas expressões descritivas se referem claramente a um líder russo que comandará a invasão. Na seqüência de nossa análise, examinei a lista de invasores que se juntarão a Gogue como aliados. Meseque e Tubal sempre são citados juntos na Bíblia (Ez 38.3). Eles viviam naquele território que hoje se conhece como Turquia. A Pérsia é facilmente identificável porque foi mencionada por várias vezes na Bíblia e corresponde atualmente ao país denominado Irã (Ez 38.5). A Etiópia é identificada pelo nome Cuxe, transliterado da palavra hebraica Kush, um povo que habitava no território imediatamente ao sul do Egito, onde o país do Sudão se localiza na atualidade (Ez 38.5). Pute se situa nas proximidades do Sudão e corresponde ao país que hoje se conhece como Líbia (Ez 38.5). Os atuais descendentes de Gômer e de Bete-Togarma são identificados como etnias que também habitam hoje em dia nas regiões central e oeste do território da Turquia. O exército invasor virá do norte, numa investida para atacar Israel. É possível que outras nações, não identificadas especificamente como “atores nesse palco” da tentativa de invadir Israel, também venham a se envolver. Também é possível que certos povos identificados em Ezequiel se esparramem para dentro do território de países adjacentes. Temos um exemplo disso nos Curdos, um grupo étnico que se encontra espalhado em regiões do Irã, da Turquia e do Iraque. A situação de Israel O texto bíblico nos informa que, no momento dessa invasão, Israel já terá se recuperado da espada (Ez 38.8), o que só pode se referir à sua situação atual ou a alguma ocasião depois de nossos dias. Essa recuperação da espada deve ter relação com as derrotas judaicas nos anos 70 d.C. e 135-136 d.C., quando a longa Diáspora dos Judeus teve início e também deve estar relacionada com o reagrupamento de Israel “…que se congregou dentre muitos povos…” (v. 8). Em conjunto com as expressões “…depois de muitos dias…” e “…no fim dos anos…” (Ez 38.8), parece claro que o texto faz alusão a um episódio que ainda vai acontecer no futuro, provavelmente associado com o período da Tribulação. Esse texto prediz que toda a nação de Israel estaria “…habitando seguramente…” na sua terra quando a invasão ocorrer (Ez 38.8). Creio que esse fato seja o maior desafio à concepção, por mim defendida, de que essa invasão acontecerá depois do Arrebatamento da Igreja, mas antes do começo da 70ª semana profetizada por Daniel, a saber, antes da Tribulação vindoura. Alguns intérpretes têm tentado igualar o conceito de viver “seguramente” com o de viver “pacificamente”. Tais intérpretes afirmam que essa passagem descreve uma situação em que Israel estaria vivendo em paz com todos os países vizinhos e que nenhum destes seria uma ameaça para os judeus. Essa interpretação não tem nenhuma sustentação no significado da palavra hebraica betah, nem é apoiada pelo contexto da passagem. Arnold Fruchtenbaum comenta o seguinte: Em nenhum lugar desse texto há qualquer alusão de que Israel estaria vivendo em paz. Pelo contrário, a descrição é de que Israel estaria simplesmente habitando em segurança, o que significa “confiança”, a despeito de quanto dure um estado de guerra ou de paz. Nas várias descrições que essa passagem apresenta sobre Israel, pode-se comprovar que todas são verídicas na realidade do Estado de Israel atual.[1] Ao que parece, o texto indica que Israel já estaria de volta à sua terra e que certo período de tempo já teria decorrido, pois os judeus são descritos na passagem como um povo que habita seguro na sua terra e que produziu grande riqueza, riqueza essa que será o motivo dos povos aliados para invadir (Ez 38.10-12). Não há dúvida de que essa é a situação de Israel hoje em dia. Na realidade, diante da atual crise econômica mundial, Israel tem se saído melhor do que qualquer outra nação.

Trazemos para cá o capítulo final, que tem um resumo da obra, mas recomendamos para os interessados a leitura completa, pois traz muitas questões sobre o idioma e período histórico no qual esse livro foi escrito.

O momento exato Como salientei anteriormente, creio que a invasão terá relação com o período da Tribulação, razão pela qual acredito que o ataque dessa coalizão invasora se dará após o Arrebatamento, mas antes da Tribulação. O Arrebatamento encerra a Era da Igreja, porém não marca o início da Tribulação propriamente dita. O período de sete anos da Tribulação começará no exato momento em que o Anticristo, oriundo do Império Romano revitalizado, fizer uma aliança para proteger Israel (Dn 9.24-27). Portanto, o intervalo de tempo pode ter a duração de alguns dias, semanas, meses ou anos, a fim de que o palco esteja totalmente pronto para os acontecimentos que se sucederão nesse período de sete anos. O texto de Ezequiel 39.9 prediz o seguinte: “Os habitantes das cidades de Israel sairão e queimarão, de todo, as armas, os escudos, os paveses, os arcos, as flechas, os bastões de mão e as lanças; farão fogo com tudo isto por sete anos”. O fato de que essas armas serão queimadas por sete anos fornece um indicador de tempo que poderia nos ajudar a discernir o momento, dentro do cronograma profético de Deus, em que essa batalha ocorrerá. Fruchtenbaum diz o seguinte: “Esses sete meses de sepultamento dos corpos e sete anos de queima das armas são cruciais para que se possa definir com precisão o momento em que essa invasão acontecerá. Para que uma concepção interpretativa esteja correta, deve obrigatoriamente satisfazer às exigências impostas por esses sete meses e sete anos”.[2] Parece pouco provável que essa queima das armas por sete anos passe para o período de mil anos do reino, após a Segunda Vinda do Senhor Jesus. O Dr. Price explana sobre essas questões nos seguintes termos: Se essa batalha acontecesse depois do Arrebatamento, mas antes do início da septuagésima semana profética de Daniel, haveria bastante tempo e liberdade de movimento, ainda durante a primeira metade da Tribulação (i.e. o período de tempo caracterizado por aquela falsa paz oferecida a Israel na aliança firmada pelo Anticristo), para o cumprimento dessa tarefa. Além disso, a alusão de que não haverá necessidade de cortar e recolher lenha dos bosques (v. 10) faria mais sentido se esse episódio ocorresse antes da primeira trombeta apocalíptica de juízo, quando a terça parte de todas as árvores será queimada (Apocalipse 8.7). Se essa batalha estivesse prevista para acontecer em algum momento do período da Tribulação, as pessoas não teriam tempo de concluir essa tarefa antes da ferrenha perseguição que ocorrerá nos últimos 42 meses daquele período (cf. Mateus 24.16-22), quando o Remanescente Judeu se verá forçado a fugir para o deserto a fim escapar do sanguinário ataque satânico (Apocalipse 12.6). Embora não haja nenhuma razão que impeça a queima das armas durante o Reino Milenar, já que outras armas serão convertidas em utensílios produtivos e pacíficos no Milênio (Isaías 2.4), a renovação da natureza e o aumento da produtividade, característicos desse período (Isaías 27.6; Zacarias 8.12; Miquéias 4.4), poderiam argumentar contra tal necessidade.[3] O Dr. Ron Rhodes escreveu há pouco tempo um livro excelente sobre o texto de Ezequiel 38 e 39, intitulado Northern Storm Rising [i.e. “Tempestade que Vem do Norte”][4]. O Dr. Rhodes compara a atual preparação para os acontecimentos preditos na profecia de Ezequiel ao ajuntamento de nuvens negras antes de uma tempestade. É isso mesmo! Hoje em dia, temos testemunhado os preparativos e o posicionamento político-ideológico das nações que foram preditas na profecia para invadir Israel. Os últimos anos testemunharam a aproximação entre o Irã e a Rússia, os quais têm se empenhado juntos para ajudar o Irã a se tornar uma potência nuclear. Não há a menor dúvida de que a Rússia capacitou o Irã a construir seu reator nuclear e de que os russos têm ajudado os iranianos tanto a desenvolverem quanto a montarem bombas atômicas. Pela primeira vez na história foi noticiado que a Rússia e o Irã planejam realizar exercícios militares em conjunto.[5] Não há como se equivocar quanto ao objetivo do programa nuclear iraniano, pois, o ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez declarações, por inúmeras vezes, sobre sua intenção de varrer Israel do mapa. Em face da atual situação entre Israel e Irã, se conjecturarmos que o momento dessa invasão poderia estar próximo, talvez um dos “…anzóis no… queixo…” de Gogue pudesse ser um ataque israelense às instalações nucleares do Irã. Somente um ataque bem sucedido de Israel poderia proporcionar uma sensação de segurança, ainda que temporária, já que afastaria a ameaça nuclear iraniana. No entanto, o Irã poderia apelar para a Rússia e seus aliados, alegando que já chegara a hora de se envolverem no conflito, a fim de aniquilarem os judeus “…que vivem seguros…” na sua terra e tomarem os despojos durante essa investida. Afinal, o Irã poderia se queixar para a Rússia, a outra superpotência do mundo, que os Estados Unidos já intervieram naquela região, pelo menos duas vezes nos últimos 20 anos e ainda se encontram em operação militar no Oriente Médio. Por que a Rússia não poderia fazer o mesmo em favor de seus aliados? Hoje em dia a Turquia não se encontra alinhada com a Rússia e com o Irã por ter se tornado tecnicamente um Estado secular com uma herança muçulmana após o colapso do Império Turco-Otomano no final da Primeira Guerra Mundial. Já faz tempo que a Turquia se tornou membro da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e tem expressado o desejo de se identificar, não com a Ásia, mas com a Europa, muito provavelmente por razões econômicas. A Turquia é um país cuja menor parte do território se encontra na Europa e a maior parte está situada na Ásia. Além disso, a Turquia já solicitou oficialmente o ingresso como país-membro da União Européia, onde qualquer pessoa que esteja num dos seus países-membros pode se deslocar livremente para outra localidade que se encontre dentro dos limites geográficos da União Européia. Os demais países-membros estão preocupados porque temem que, se for admitida como membro da União Européia, a Turquia possa se tornar um canal através do qual os muçulmanos se deslocariam para inundar o restante da Europa com a sua presença. Embora a Turquia continue no processo de cumprir requisitos para ingressar na União Européia, é praticamente certo que no fim tal ingresso seja rejeitado. A partir do momento que forem rejeitados pela União Européia, os turcos vão buscar alinhamento com a Rússia, bem como com seus países-irmãos islâmicos. Nos últimos anos contemplou-se a emergência de uma maioria islâmica no Parlamento da Turquia e o seu atual primeiro-ministro é muçulmano. A dissolução da antiga União Soviética envolveu a independência destas cinco repúblicas islâmicas: Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Turcomenistão e Tajiquistão. A Turquia se considera o desenvolvedor econômico dos vastos recursos naturais que se encontram nesses cinco novos países, tais como: ouro, prata, urânio, petróleo, carvão e gás natural. Depois de ser desprezada pela Europa, a Turquia terá motivos de sobra para entrar numa aliança com a Rússia e com suas nações-irmãs muçulmanas, o que deixará o palco preparado para o cumprimento dessa profecia. Maranata!

Referências:

– Arnold Fruchtenbaum, Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events, Tustin, CA: Ariel Press, (1982) 2003, p. 117. 2 (Grifo do autor original em itálico)

– Fruchtenbaum, Footsteps, p. 117. 3 Randall Price, “Comentários Não Publicados Sobre as Profecias de Ezequiel”, 2007, p. 43. 4

– Ron Rhodes, Northern Storm Rising: Russia, Iran, and the Emerging End-Times Military Coalition Against Israel, Eugene, OR: Harvest House Publishers, 2008. 5 DEBKAfile, “Russia’s first Persian Gulf naval presence coordinated with Tehran”, publicado em 2 de junho de 2009 no site da Internet: www2.debka.com/headline.php?hid=6095.

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